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Postado em 17 de Abril às 08h39

A busca pela produtividade e qualidade nos frigoríficos de bovinos: Parte 2 – Do campo até o frigorífico

A partir da escolha certa da matéria-prima, precisamos estar atentos a alguns cuidados para que possamos seguir a busca pela alta produtividade e pela qualidade com relação à carne bovina do campo até a mesa do consumidor.

E os trabalhos na fazenda (manejo, genética e alimentação) são muito importantes quando buscamos melhorar a produtividade dos animais e oferecer, a partir de uma boa matéria-prima, uma alta qualidade de cortes de carne bovina para o consumidor.

O bem-estar animal é fundamental para que possamos produzir uma carne bovina de qualidade e o manejo dos animais é a peça-chave para que tudo dê certo.

O manejo correto, desde a hora de trocar os animais de piquete ou quando estamos conduzindo os animais do campo até os currais, precisa ser executado com alguns cuidados, como por exemplo evitar os gritos e atropelos para que os animais não tenham o seu nível de estresse aumentado.

Vale lembrar que estresse elevado pode significar um nível de qualidade menor nos cortes de carne bovina e uma queda na produtividade.

Além do manejo, precisamos cuidar das instalações, principalmente dos lugares aonde os animais vão passar durante o processo de embarque, como currais, embarcadores e tempo de curral antes do embarque dos animais nos caminhões.

O tempo de espera dos animais antes do embarque é fundamental para que possamos diminuir ao máximo a possibilidade de contaminação (conteúdo ruminal) durante as operações dentro do abate. Uma carcaça que apresente contaminação (por fezes, urina ou por manipulação inadequada) precisa passar por um processo de toalete (DIF), podendo ocasionar uma queda de qualidade nos cortes e também no rendimento de carcaça.

Quando falamos em PROGRAMA DE BEM-ESTAR ANIMAL, não podemos nos restringir apenas à fazenda. Durante o processo de embarque e transporte dos animais, os motoristas precisam seguir alguns cuidados para que os animais não sofram nenhum tipo de lesão.

Na hora do embarque, precisamos evitar ao máximo o uso do choque elétrico. Se caso for necessário o uso desse instrumento, precisamos ter alguns cuidados com o equipamento. A voltagem não pode ser superior a 60 volts. O uso não pode ser contínuo, ou seja, não podemos fazer uso do bastão de choque sem intervalos. E o mais importante, o uso do bastão elétrico somente em locais próprios, nunca no lombo ou na altura do quarto-traseiro, para evitar qualquer tipo de lesão.

A partir do embarque bem-feito, precisamos seguir com a nossa atenção com relação ao transporte dos animais da fazenda até o frigorífico. Freadas bruscas e alta velocidade são proibidas durante o processo de transporte dos animais. A capacidade máxima da carga nos caminhões precisa ser respeitada. O tempo de parada nas rodovias e estradas precisa ser o mínimo possível e nunca em locais onde os animais fiquem expostos diretamente ao sol.

Ao mantermos esses cuidados, estamos diminuindo ao máximo o potencial de estresse dos animais e também o surgimento de contusões nas carcaças durante o abate. E esses fatores, quando controlados, fazem com que possamos produzir uma carne bovina com alta qualidade e também uma alta produtividade durante as operações.

Quando os caminhões chegam ao frigorífico, a atenção ao bem-estar dos animais continua. Os cuidados com o desembarque seguem as mesmas premissas do embarque, ou seja, precisamos evitar o uso do bastão elétrico e o deslocamento dos animais do interior do caminhão precisa ser efetuado de forma tranquila e sem movimentos bruscos, a fim de evitar possíveis contusões.

Os currais de recebimento da matéria-prima precisam estar higienizados e com os cochos com água potável para que os animais possam se reidratar. Não é permitido colocar um número de animais superior à capacidade máxima de cada curral (2,5 m² por animal). E a capacidade dos cochos de água precisa ser suficiente para que 20% dos animais possam beber água simultaneamente.

Os tempos de descanso e dieta hídrica dos animais no curral do frigorífico precisam ser respeitados, a fim de que os animais possam eliminar o máximo de conteúdo ruminal e urina e, também, reduzir ao máximo o estresse da viagem da fazenda até o frigorífico.

Quando as propagandas junto aos canais de comunicação falam em “carne de qualidade”, não podemos pensar e visualizar apenas uma etiqueta bonita e uma embalagem bem apresentada. Há processos que precisam ser respeitados e realizados do campo até a mesa do consumidor para que, de fato, a cadeia produtiva da carne bovina possa oferecer uma carne bovina de qualidade e ter uma alta produtividade nas suas operações.

# Por uma Cadeia Produtiva da Carne Bovina mais Forte

EXPOMEAT 2019 Sobre o autor Descrição: http://www.marketingandtechnology.com/repository/webstories/webst36639.png Celso Ricardo Cougo Ferreira é palestrante e consultor em gestão empresarial e...

Sobre o autor
Descrição: http://www.marketingandtechnology.com/repository/webstories/webst36639.png

Celso Ricardo Cougo Ferreira é palestrante e consultor em gestão empresarial e habilitação de empresas para o mercado de exportação. Gaúcho de Bagé, possui sólida carreira de mais de 20 anos no setor industrial de bovinos, em empresas de todos os portes, tendo ocupado posições estratégicas no chão de fábrica, de supervisor de qualidade a diretor industrial. celsoricardo.cferreira@gmail.com (51) 98061 5462 / (51) 98413 1374

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